quinta-feira, 29 de março de 2012

Doores & Amorees



A mãe isolou-se das meninas em seu quarto. Parecia distante e triste. Um dia o pai se achegou às meninas e foi logo dizendo com todas as palavras que dali a algum tempo não mais teriam a mãe. Por isso deveriam desapegar-se dela pois o sofrimento seria inevitável. Doente ela estava e doente sem cura. Um dia ela morreria e então a cada ano que ela comemorasse era para se ter na memória que seria o último aniversário dela. Pensa que essas foram as mais duras palavras? Não! Essas foram palavras para se adquirir postura e fortaleza diante de tudo o mais que pudesse acontecer.
Começava ali o desencanto das meninas. O lugar não era mais o paraíso delas. Sabiam que nada ali seria eterno e que abandonariam por fim aqueles campos, a vida calma, tudo teria um novo rumo.
Mas isso tudo não tirou o brilho do olhar e nem a vontade de correr pelo gramado, de frequentar a aula da dona Emília, de observar o estojo dos colegas Ari e Neri , de ouvir as histórias da avó que criava gatos e a noite sentar com a familia diante do rádio para escutar o programa de música nativista e ouvir as histórias do pai.
Tanta vida e tanto tempo que tão rápido passou.
Diante da vida mal sabia a menina que teria muito que aprender e que tudo contribuiria para o seu bem. Quão importante para as crianças são as lembranças da sua infância. Quer boas ou más são lembranças de vida.
E mesmo que a vida tenha suas dores ela sempre trará amores!

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